A ANET desde sua fundação se volta para o campo das simulações de Modelos das Nações Unidas; ao longo dos seus 5 anos de atividades, membros associados compõem delegações com a finalidade de representar a instituição em vários eventos no Brasil e também em outros países.

Em 2017 vamos trazer as memórias de grandes momentos da Associação nesta área, a das simulações, e também na da pesquisa, da produção acadêmica e dos eventos. Nosso primeiro entrevistado é Lucas Ribeiro de Belmont Fonseca, bacharel em Relações Internacionais pela UFPB, em João Pessoa; ele foi membro administrativo da ANET – coordenador de simulações e eventos durante as gestões 2013/2014, 2014/2015 e 2015/2016 -, participante de várias simulações e selecionado para representar a ANET no I Simulado do Conselho de Direitos Humanos da ONU (em conjunto com Bianca Alves Castro (UnB), Heloísa Storniolo Adegas (UnB), Lucas Freire Duarte Figueiredo (UFRN) e Pedro Victor de Oliveira Mota (UFRN) ), ocorrido em Brasília, no dia 14 de outubro de 2016.

Compartilhe um pouco das impressões do Lucas de Belmont (LB) no evento ocorrido na sede da ONU-Brasil, na Capital Federal. O processo seletivo era dividido nas seguintes etapas e todas foram apoiadas pela a ANET: (i) Candidatura das equipes por meio de envio de dossiê sobre um dos pontos da 2ª Revisão Periódica Universal do CDH; (ii) Avaliação e a aprovação do dossiê por especialistas indicados pela ONU; e, a (iii) Participação presencial da equipe no Comitê apontado pela Organização.

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ANET: Como foi redigir o texto/dossiê¹ para a candidatura?

LB: Para mim, foi desafiador, porque particularmente eu não possuía nenhuma familiaridade com o tema que escolhemos – combate ao trabalho escravo. Com o auxílio das colegas de equipe que já pesquisavam sobre o assunto e com acesso a artigos especializados e a documentos da OIT, do CDH e do Governo brasileiro, pude contribuir com o trabalho efetivamente. O resultado final foi primoroso, não só por termos escrito sobre um tema um pouco não-convencional na seara dos Direitos Humanos, mas também pelo conteúdo fundamentado do dossiê, com referências a legislações nacionais e internacionais e à realidade brasileira.

ANET: Quais os impactos na sua vida acadêmica após a experiência de participação no evento?

LB: O contato com temas novos, como o combate ao trabalho escravo, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e a situação dos direitos humanos na Índia, sempre é positivo. O trabalho em equipe e o diálogo com outras delegações também foi muito interessante e desafiador. Por fim, a possibilidade de conversar com estudiosos e profissionais da área, como funcionários da ONU Brasil, tem um valor inestimável, que só existe em oportunidades como o I Simulado do CDH.

ANET: Quais as maiores dificuldades durante a simulação?

LB: Foram duas as maiores dificuldades. A primeira foi a exiguidade do tempo de simulação, a qual exigiu que incorporássemos o papel da delegação da Índia com antecedência, a fim de negociarmos o texto do projeto de resolução que os BRICS apresentaram, e também dificultou que pudéssemos nos articular mais durante o dia de simulação. A segunda dificuldade foi a intransigência e o amadorismo de algumas delegações, inclusive dos BRICS, o que quase jogou fora o trabalho anterior à simulação e demandou que nos empenhássemos em uma negociação difícil com a Rússia, a China e a África do Sul e outras delegações do Conselho de Direitos Humanos. Isso abriu espaço para críticas aos posicionamentos dos BRICS, sobretudo entre as ONGs.

ANET: Qual o seu posicionamento pessoal quanto ao tema do comitê?

LB: Minha visão é simples e lúcida: os direitos humanos são universais, isto é, não distinguem etnia, raça, gênero, credo, nacionalidade, orientação sexual. É preciso garantir a todos e a todas um tratamento justo e igualitário, com proteção a direitos fundamentais e promoção de melhores condições de vida, como os ODS indicam. Eventualmente essa postura pessoal entrou em choque com a visão conservadora da Índia, o que sempre é um instigante desafio nas simulações.

ANET: Como você percebe, na conjuntura atual, a postura dos BRICS em torno das questões envolvendo gênero?

LB: Não existe plena convergência entre os BRICS a respeito do tema, embora eu enxergue uma tendência dos países do grupo a rejeitar proposições consideradas intrusivas sobre as responsabilidades e direitos do Estado, mesmo que sejam em prol da proteção de direitos humanos. Ainda é preciso caminhar bastante para que os BRICS possam adotar uma postura mais humanista em respeito aos seus cidadãos. Até lá, espero que seja frutífero o diálogo intercivilizacional entre o Norte e o Sul Global sobre que visão de mundo os países desses dois agrupamentos têm a respeito dos direitos humanos, a fim de criar uma agenda consensual, como o foram os ODS.,

Confira também fotos dos participantes na simulação:
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¹http://portalanet.com/2016/10/16/politicas-de-combate-e-prevencao-do-trabalho-escravo-contemporaneo-notas-a-revisao-periodica-universal-do-cdh-das-nacoes-unidas-ao-brasil/

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